Belo texto escrito por minha amiga submissa do Rio de Janeiro
Selena Mënx
Antes de lerem, um recado para os BDSMers de plantão: Este é um texto que refletiu a realidade, e era um relacionamento baunilha transformando-se em um relacionamento BDSM. Alguns de vocês podem pensar que foi romântico demais, e realmente foi. Porém, entendam que estamos falando para mulheres baunilha. Então, assim como alguém que ensina o outro a andar, não dá para colocar numa ladeira. Vou com calma, socraticamente, colocando os conhecimentos que possuímos, demonstrando os sentimentos que sentimos no momento.
Aproveitem a leitura do dia em que eu me descobri, de verdade, amante da dor, Masoquista.
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Altos de montanhas costumam a passar uma paz ímpar... E eu sempre gostei disso... Você olha a paisagem e visualiza aquele céu azul... sem nuvem alguma... A cidade lá embaixo. O silêncio do lugar e o vento batendo levemente no seu rosto são sensações maravilhosas...
O sol da manhã acaricia o seu rosto sutilmente e isso é bom. Você fecha os olhos, respira fundo. Se acalma. Passou a noite inteira nervosa por aquele momento. Ansiosa.
O instrutor veste o equipamento em você e você sobe à rampa. Vai pular de asa-delta em breve. Respira fundo de novo e o coração acelera. Já fez o preparo, as pequenas corridas. Estudou para aquilo e está preparada, mas a adrenalina... corre. Corre a mil.
E chega a hora... e você corre, e você se lança. NO MEIO DO NA-DA. Se joga. Se entrega.
Essa tinha sido a sensação mais forte que eu tinha tido o momento. Até AQUELE momento. Costumava a descrever o salto de asa-delta como libertador e algo “melhor que sexo”. Sim... melhor que sexo, fatalmente. Melhor que sexo normal (aliás, recomendo o salto).
Porém, desconhecia o que a vida estava por me apresentar.
Aliás, desconhecia tudo. Nos altos dos meus 20 anos, tudo o que eu conhecia era RPG e um rapaz que fazia sexo meia-boca, onde papai-e-mamãe eram o suficientes. A.R.V., meu primeiro namorado, não foi o dos mais marcantes. Quem dera eu não tivesse perdido a virgindade com ele.
Pouco tempo depois que A.R.V. e eu terminamos, conheci Alexandre. Eu frequentava a lan house que ele era gerente. Tínhamos 2 anos de diferença.
A.D. era (é, pois ainda é vivo) mais baixo que eu. Barbudo (eu nunca fiquei com homens sem barba, julguem-me!), gordinho... à primeira vista, eu nada dava por ele... Sinceramente, não sei nem como começamos a ficar. Não lembro mais. São 15 a 16 anos para trás... Mas o que importa é: Ele não era o tipo “beleza comum”, um Cauã Reymond da vida ou esses estereótipos. Ele era um homem normal.
“Me chame de Draco”, se apresentou. Começamos uma amizade, a amizade coloriu e o colorido da amizade virou paixão, que virou namoro.
Pouco tempo depois de virar namoro, após fazermos sexo, ele me abordou, ainda na cama, enquanto suados:
- O que você acharia se levássemos o nosso relacionamento para um outro nível?
Eu, com 20 anos... Entrei em pânico... Comecei a pensar que era casamento! "Meu Deus! Não queria aquilo naquele momento!" Olhei desesperada para ele... E ele, baixando a voz, falou com toda a calma do mundo:
- Calma... Não é isso que você está pensando. Eu gostaria de te mostrar um novo... mundo. O meu mundo!
Vejam: Draco sempre teve uma maneira linda de dizer as coisas. Talvez pelo jeito imaginativo de ser, ou pela habilidade em escrever e montar histórias de RPG. Ele conseguia colocar as palavras num outro nível.
Arqueei a sobrancelha (costume que tenho ao desconfiar de algo) olhei para ele e exprimi: "hmmm?"
E ele começou a discorrer o que era. E o que precisava.
Eu, experimentalista que sempre fui, aceitei na hora. Primeiro porque estava aliviada por não ser casamento. E, segundo, porque a idéia de ser completamente dominada me parecia incrível.
Até o dia da primeira sessão.
Ele fez todo o papel, sabe... a antecipação da sessão já é parte da “tortura gostosa” da mesma. Ele agendou comigo, preparou tudo. Me instigou a semana inteira antes desta. Quan-ta tor-tu-ra, Jesus! E, a cada dia que aproximava, eu ficava mais ansiosa. Naquela semana em específico, ele negou o sexo. E transávamos diariamente (tive um Dono que diz que eu tenho tesão de 25 homens, kkkk)... Eu estava louca, subindo pelas paredes, e com o pico hormonal dos meus 20 anos. Mal via a hora, sério.
E o dia tinha chegado. Havíamos marcado no apartamento dele (ele morava só à época), às 18h. Eu deveria chegar impreterivelmente no horário. Nem um minuto mais tarde, nem um minuto mais cedo. Minhas mãos suavam. Muito. Nervoso. Ansiedade... Curiosidade... Eu parecia uma virgem de 15 anos sendo preparada para o casamento.
Subi o andar. Na frente da porta dele tinha uma única pétala de rosa vermelha.
Estranhei.
Peguei-a na mão.
Bati à porta.
Ouvi ao fundo: “Entra!”
Entrei.
Respirei.
Olhei em volta. Havia um caminho feito com várias pétalas vermelhas. Iam direto para o quarto dele. Segui aquilo.
Ao chegar lá, Draco (não, ele não gostava das nomenclaturas “senhor”, “nobre”, “rei”, etc) estava parado, ao lado da cama. De costas para a porta, como quem olha para a janela. O quarto estava em meia-luz, só com o abajour. Cortinas fechadas. Na cama, tinham algumas cordas de cânhamo, PERFEITAMENTE alinhadas. Incrível o desenho, impossível de descrever aquilo. Fascinante.
A mão direita dele desceu. Tinha 1 rosa nela.
Ainda de costas para mim, ele, num tom de voz que eu nunca tinha ouvido - mas que, puuuta-que-pariu... era altamente sensual – disse:
“A partir desse momento, você é completamente MINHA!”
Eu me arrepiei completamente. Veio debaixo pra cima, da planta do pé até a ponta do último fio do cabelo. O arrepio misturava-se a um calor inenarrável.
“Você agora deitará nesta cama, completamente nua. E me avisará quando pronta.”
“Oi?” – Pensei. “Pronta pra quê?” Aquela cena, aquela “pessoa que eu não conhecia”, aquilo tudo estava me deixando em um estado que eu não entendia mais nada...
Mas, respirei fundo e fiz. Tirei a roupa, deitei no meio da cama. Nua. Em pêlo mesmo. O mais rápido que pude. Queria saber o que aconteceria logo. Mas também estava com um pouco de medo... Parecia, de verdade, outra pessoa senão o Draco, meu namorado, que eu conhecia. E que me conhecia também.
Enfim... Eu fiquei deitada ali... por um bom tempo (na verdade, não deve ter demorado 3 segundos, mas o meu nervosismo era tamanho que pareceu uma eternidade, rs...)
Ele virou pra mim. Gente, sério... Ele estava lindo, cheiroso, um verdadeiro gentleman. Terno, gravata, colete... tudo o que tem direito. Lindo!
Se aproximou. Subiu sobre a cama, pegou as cordas e começou a me amarrar os punhos à cabeceira da cama.
Deixou os punhos juntos... O braço erguido acima da cabeça. Manteve as pernas soltas.
Friburgo é uma cidade fria. Quem conhece, o sabe. Mas eu, mesmo estando nua, suava. Suava e sentia frio. E, ao terminar de amarrar, pegou a rosa que estava, nesse momento, do meu lado esquerdo, e tocou na minha testa, me obrigando a fechar os olhos.
Respirei fundo. Senti que a outra mão dele pegava no osso do quadril (coisa que eu sempre gostei). E apertava com o polegar. Aquilo me fez sentir uma sensação... no mínimo... diferente...
“Você precisa se entregar por completo, ou nada disso funcionará.” – Ele disse.
“Tudo bem...” – Respondi.
“Eu não mandei você falar.” – Ele retrucou.
Calei-me, né... depois desse “senta lá, Cláudia...”
Mas isso não diminuía em nada o meu tesão. Devo confessar que, a essa altura, mesmo ele não ter feito nada ainda, eu já estava molhada pra caramba...
Ele apertou o polegar, afundando no buraco do osso. Começou a descer um pouco mais a rosa. Afirmou para que eu não abrisse os olhos. Obedeci.
Disse que, se eu me sentisse desconfortável ou não quisesse algo, para eu falar uma palavra (que eu, sinceramente, nem escutei direito, de tão nervosa que eu estava).
Me atinha em respirar e a sentir as sensações que ele estava disposto a fornecer. A rosa desceu pelo meu rosto, pelo meu pescoço... seguiu na direção do seio, onde ele fez questão de rodear os mamilos... continuou descendo pelo abdômen... E chegou na boceta.
Fiquei com medo. “Será que ele vai enfiar isso em mim?” Mas... minha ordem era pra ficar calada e confiar...
A rosa desceu e os espinhos começaram a arranhar a minha coxa... Que sensação gostosa... nosso Deus... Recomendo altamente! Parecem pequenos arranhões leves, daqueles que arrepiam a pele, sabe?!
Ele passava os espinhos de levinho, do alto da coxa até a ponta dos pés... nesse momento, eu senti cócegas... No pé, foi inevitável.
Doce engano... Ele parou tudo. Eu abri os olhos nesse momento... olhei pra ele, e a cara dele era de decepção. Eu nada entendi.
“Fique de bruços.” – A voz era de puto. O olhar dele era de quem estava zangado. Eu estranhei, virei com dificuldade, por estar com os punhos presos, mas consegui. Me acomodei e ele prendeu minhas pernas com as dele. Jogou os meus cabelos todos para o alto, deixando a minha nuca nua. Soprou um sopro quente, que me arrepiou toda. Uma baforada, era diferente, não sei explicar.
Voltou com a rosa, passando os espinhos levemente nas costas.
“Você tem que entender que uma submissa deve manter a pose a qualquer custo.”
Ao ouvir essas palavras, eu vi as pétalas caindo na frente do meu rosto.
Só senti a porrada da haste da rosa nas minhas costas. Doeu. Gritei.
“Não grite.”
Ele foi incisivo. A voz estava séria e eu tive medo. Muito medo.
“Entregue-se”.
E “pá!” outra varada da ripa da rosa... O olho encheu d’água... Pensei: “quero sair daqui. Não é pra mim...” Me contorci naquele momento. A vontade foi de ficar em posição fetal, horrorizada.
Ele segurou a minha nuca, alongando as minhas costas e “pá!” outra varada...
“ENTREGUE-SE!” – a voz, um pouco mais alta, mais forte, mais mandona, me deu mais medo... e eu encolhi as costas como quem tenta proteger o que der. Ele deitou sobre as minhas costas e falou baixinho: “entregue-se pra mim.”
E eu não sei o que houve naquele momento, mas eu senti meu corpo irrigando de um calor inenarrável... e ele começou a bater repetidas vezes com a haste da rosa, e eu já não mais comecei a sentir dor, mas eu ficava molhada... cada vez mais molhada... E eu me concentrava, agora, na antecipação à dor, na prévia da coisa... A dor, na verdade, já não me fazia mais efeito negativo algum.
E ele percebeu isso... Começou a não colocar ritmo na varada... mas parava, como quem estuda a minha reação... E o meu corpo, tremia à antecipação.
Eu encolhia, esticava, arrepiava, esperneava... suspirava. Gemia feito louca... Sinceramente, é difícil de explicar... Mas eu amava aquela sensação... e ele permaneceu batendo por alguns minutos (ou horas... eu não sei mais)... Sei que minhas costas ficaram quentes, e aquilo era muito bom.
E eu estava entrando numa espécie de êxtase, de transe, algo que é complicadíssimo de explicar. Mas eu tenho certeza de uma coisa: um sorriso estava no meu rosto. E era daqueles largos, como o de criança que ganha o brinquedo que tanto queria.
E, "do nada" (provavelmente ele disse alguma coisa, mas eu estava tão tomada por aquilo, que eu nem ouvi), eu senti o pau dele entrando totalmente em mim. De uma vez só. Foi como voltar a vida. Eu me contorci toda, encostando as costas nele.
"Deite"
Deitei. E ele colocou (o resto d)a haste da rosa sobre a minha nuca e danou a meter na minha boceta. Forte, com estocadas firmes. Nada carinhoso. Ouvia-se o bater do corpo dele com o meu a cada metida... Meu cabelo foi puxado, fortemente... eu senti dor. Não foi bom. Não por causa da dor, mas por conta da maneira que foi feita. Eu não estava acostumada a aquela pessoa... NÃO PARECIA a mesma pessoa. NÃO ERA a mesma pessoa... Mas isso eu pretendo explicar em outra hora (ego x alterego). Era um ser completamente diferente do que eu já tinha estado.
Complicado... Ele gozou, eu não.
Deitou do meu lado e, sinceramente, agradeci por ter acabado. Me sentia estranha.
Ele respirava esbaforido, e eu olhava para aquele ser humano que eu não conhecia. Minha mente começou a entrar em parafuso... E vi um sorriso dele.
A mão dele veio em cima de mim. Eu recuei. O rosto dele mudou novamente.
Era estranho, pareciam duas pessoas completamente diferentes, na fisionomia, inclusive.
Comigo, ainda amarrada, sem muita ação... Apenas aguardava e tentava entender aquilo tudo.
Ele levantou, me deixou ali. Foi para o banheiro. Ouvi barulho de chuveiro. E eu, ali. Amarrada. Pensando no que fora aquilo que aconteceu. Senti as costas... Um desgaste da pele (mal sabia eu o que tinha acontecido com elas)...
Ele voltou do banho e, estando nu, falou comigo:
"Vou te desamarrar. Mas você, cadela, deve ficar quieta. Imóvel até que eu te diga o que fazer."
"Cadela?!" Pensei "Com quem ele pensa estar falando?" Continuei pensando. Naquela época, eu era baunilha ainda, e não sabia distinguir "cadela" de "cadela" (somente os entendidos entenderão, rs...)
Desamarrou. Passei as mãos no punho, pra aliviar a pele...
Ele, com as cordas na mão, disse: "vire-se pra mim e sente aqui" - AQUI era na beirada da cama, perto dele. E ele, incrivelmente com o pau rígido (voltou à ativa mais rápido do que costumava a voltar), puxou minha cabeça pelos cabelos e me obrigou a um deep throath.
Quase vomitei, em determinado momento. Foi fundo demais, rs... Mas foi interessante aquela ação. O pau dele vazava minha garganta adentro, e eu me sentia a mais desengonçada das mulheres naquele momento. rs...
Mas ele veio com uma voz calma e firme ao mesmo tempo e disse: "relaxe a boca, deixe ele entrar." E funcionou... E foi bom. Muito bom... Particularmente, eu gosto de sexo oral. Então, pra mim, foi maravilhoso. Mesmo com os engasgues e tossidos, mas foi bem mais leve pra mim.
Ele me levantou, me beijou de um jeito profundo (beijo sempre me deixou muito excitada)... Aquilo foi como uma recompensa... Foi um beijo tão envolvente, que parecia estar trocando muito mais do que saliva naquele momento.
Ele me pegava pelo rosto e pelo quadril... apertava contra ele... o calor do corpo aumentava... E, nossa... a essa altura, eu já tinha até esquecido do que tinha doído.
E ele terminou o beijo, olhou bem no fundo dos meus olhos, e me deu um tapa, forte, preciso, na minha cara. Coloquei a mão no rosto, aonde ele me bateu. Olhei para ele como quem não entende. Ele riu.
Me jogou na cama, subiu sobre mim, e voltou a beijar. Beijava e dava tapas. Cuspia. E dizia para eu me entregar pra ele continuadamente.
Na hora não me fazia muito sentido. Mas fui entender isso mais tarde.
Ele batia, e resolveu segurar os meus pulsos. Mordiscava o bico do peito, fazia tortura com aquilo. Olhava pra mim. O tesão começava a me tomar novamente. Aquela sequência de corta-atiça começava a fazer mais sentido pra mim... Pois a cada vez que eu era "re-atiçada", vinha de maneira mais intensa.
Ele desceu. Fez um dos orais mais marcantes do nosso relacionamento. Mas não me deixou gozar... Filho da mãe!
Me ordenou que ficasse de pé, contra a parede, com as mãos encostadas nela. Coloquei-me conforme a ordem. Colocou uma venda em mim. Já não via mais nada.
Ouvi o barulho como que dele sentando à cama. E houve um silêncio profundo. Ao ponto de eu conseguir reparar na minha respiração. Ouvi passos. E senti. Senti profundamente uma lapada na minha bunda. Mais tarde fui conhecer o que era... Eram as cordas.
Foi uma atrás da outra. Na primeira, eu me contorci... Dali pra frente, eu já gostei... Confesso que, só de lembrar desse momento, eu já me excito. Porque, ao apanhar com a corda, eu escorria... Era muito tesão... Meu Deus... E eu não conseguia entender COMO eu poderia estar sentindo tesão naquilo...
E ele batia na bunda, algumas pegaram nas coxas... Mas todas pegaram em mim... E, quando dei por conta, já estava pedindo, implorando para ele me meter.
E ele meteu. E, dessa vez foi bom, e fomos juntos até o final.
Os dois gozaram.
Os dois caíram.
Os dois (ou quatro - egos e alteregos) se encontraram
Selena Mënx












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