Tudo mudou, quando comecei a enxergar a minha sexualidade de uma forma diferente, sempre estive presa às convenções puritanas, da menina recatada e por um tempo fui assim.
Tudo mudou quando percebi que podia desejar e vivenciar esses desejos sem tabus, apenas deixei que tudo fluísse de forma natural. Foi tudo gradativo, e alguns momentos até dolorido, porque dentro de mim, ainda havia uma prisão de, o que seria “certo ou errado”, ficar com uma menina, sentir prazer em tocar, beijar em fuder , sentir o cheiro, o sabor de uma fêmea assim como eu, deixar que um macho me tocasse de uma forma sórdida e insana, ser um objeto… tirar de um tapa o prazer de sentir o poder de quem escolhi para ser o algoz da minha vida, isso seria algo que certamente não viveria, não dessa forma tão intensa.

Tudo mudou quando entreguei meu corpo sem pudor, entreguei minha mente e meus anseios, mudou quando aprendi amar, de uma forma diferente, ardente, louca e dócil, tudo ao mesmo tempo, mudou quando comecei a me ver como uma mulher no meu papel de fêmea, de mulher objeto, de puta, daquela que se rasteja aos pés de um macho desejando migalhas de atenção, prazer e porque não dizer amor.
Tudo mudou por que me aceitei assim. Me mostrei me desnudei, deixei que me visse pelo avesso. Tudo mudou quando fui usada, abusada, fustigada não só no corpo mais na mente.
Tudo mudou quando vivi isso tudo de forma plena, quando acreditei em mim, nas minhas paixões, me deixei moldar e me descobri em minha natureza primittiva, sim porque primittiva tem como significado: aquela que persiste desde os primeiros tempos, que vem antes da origem, que deu início, sim eu dei início a minha mudança, no momento que conhece o BDSM, o mais “puro” da Dominação e submissão, a subserviente, não estou falando das práticas por si só, estou falando de viver a submissão, estou falando da minha experiência, por que a minha prática foi servir simplesmente. (Quando falo em servir, não estou me referindo a spanking, wax play, needle entre outras). Estou falando da submissão, de se ajoelhar de corpo e alma, de se doar por completo, não porque tive tempo, mas porque tive a necessidade em qualquer momento e lugar, abrindo mão de minha "vida" em muitas das vezes.

Tudo mudou quando escolhi seguir nos caminhos tortuosos e muitas vezes cheios de espinhos, mas mesmo assim caminhei em minha resiliência. Esperei, observei, apanhei , chorei , senti prazeres que nunca pensei em sentir e não falo só do gozo, e sim o prazer da alma em poder proporcionar a alguém prazer.
Tudo mudou quando consegui enxergar além do que não poderia supor entender, perceba que o mar de longe é azul, mas quando se mergulha muitas vezes as águas são turvas e em outras cristalinas.
Tudo mudou nesses tempos que senti e pude entender tbm o outro. Vivi tudo que podia e que estava ao meu alcance viver, porque hoje é tempo de refletir tudo isso que vivenciei , tempo de colocar o pé no freio e sentar na cadeira, pensar que, tudo tem um fim e mesmo assim, tudo pode mudar.
ps: Seria gratificante para primittiva que cada palavra que ela ousou escrever aqui, seja sentida por cada leitor que teve a paciência para ler.. Foram todas verdadeiramente sentidas e vivida por ela. Gratidão.