Passei muito tempo com medo de ser o que realmente sou..Faltava alguma coisa em mim, que não sabia bem o que era. Tinha receio de atravessar as barreiras da razão e por mais que tentasse ser normal não conseguia. Faltava algo e existe um buraco profundo em minha alma. Lembro da minha infância, era tímida, olhar introvertido, sentava na última cadeira da escola e torcia pra ninguém me notar. Sempre a última a sair da sala de aula quando tocava o sinal.
Aquela menina, que parecia ser mais velha do que era, se sentia um peixe fora d’água. nunca fui de muito amigos.
Quando a adolescência chegou aproximadamente meus 14,15 e 16 anos(não faz muito tempo ..rsrs) comecei a criar uma outra garota dentro de mim.
A tímida se tornava mais sexy, usava uma maquiagem mais pesada e roupas mais coladas e parecia que eu vivia duas vidas. Na escola,em casa eu era a tímida, a recatada, aquela que não conseguia demonstrar os sentimentos Mas quando me arrumava a garota aparecia. Ela Sentia uma atração pelo misterioso. Adorava saborear o gosto do beijo dos rapazes e na maioria das vezes abria olhos para ver o rosto deles, tinha uma certa provocação em mim.. Depois que me casei, virei a boa moça, a boa mãe a esposa quase perfeita, a mulher do lar. Aquela garota tinha ficado pra trás esquecida dentro de mim. O tempo foi passando, e eu tentava esconder cada vez mais a garota e isso me frustrava como mulher. Mas temia em atravessar o portal. Virei espectadora dos outros. Mera observadora de uma realidade que me parecia ser Surreal..Lia livros picantes, assistia filme de mulheres sendo surradas e isso me excitava, muitas vezes chegando ao orgasmo ali, solitária e dentro de mim a garota, se mostrava momentaneamente.
Chegou a ponto que minha essência gritava e então resolvi arriscar. Sai da zona de conforto. Com a facilidade da internet não foi difícil dar o primeiro passo. A porta se abriu e eu entrei.
Estava em um mundo de uma excentricidade erótica as variadas emoções e sensações tomavam conta de mim. No começo existia uma excitação dentro de mim. e tentava imensamente me descobrir,me desvendar e me despir dos pudores do mundo baunilha. Seria ingenuidade desejar traçar algum tipo de analogia das sensações que sentimos, entre os dois universos. A dor se torna parte de um prazer, um vício e ansiamos por sentir. Mas até chegar a esse ponto….. trazia em mim ainda o estereótipo da boa moça do mundo.baunilha.
foi quando uma pequena frase invadiu o meu mundo e fez minha alma estremecer
“olá.garota” Foi nesse momento que comecei a trazer aquela garota de volta e aos poucos ela vinha a tona.. observei os sinais, olhei a minha volta, não generalizei… abra minha mente , sentia a vibração da minha essência submissa. E tudo em mim era demais, sentia demais, era demasiada intensa, me entreguei demais, errei demais e a vida nada mais é que acontecimentos sucessivos de nossas escolhas , não escolha de ninguém, as nossas……
Não sei como dizer quando e como me descobri submissa ou em que momento a submissão se tornou parte de mim, simplesmente aconteceu. a garota que eu escondia foi se mostrando, aparecendo,por mais que eu lutasse. Ela sempre esteve ali em mim. Então a garota se tornou fêmea, se revelou, deixei que ela fluísse. Porque isso não é uma receita. Não existe receita para se tornar submissa. Você é ou não é. E eu acredito que não e ser tornar e sim aceitar a condição de ser submissa. Posso dizer que o caminho é arduamente prazeroso e muitas vezes até solitário. Foi difícil aceitar o primeiro tapa, mas depois que ele aconteceu...ha!!! isso é outra história.
Quantas vezes disse não a mim mesma. Quantas vezes estive a ponto de desistir de tudo. Quantas lágrimas rolaram em mim face. E na escuridão da noite eu pedia, implorava que aquela dor fosse embora, que desgrudasse de mim. Então eu mesmo provocava uma dor física para tentar amenizar ou esquecer a dor que vinha de dentro e sozinha em um canto qualquer flagelava meu corpo. A luta era diária para superar meus limites. E me sentia no limiar da dor e do prazer.
Meu sinto estranha e diferente, mas ainda sou humana, ainda tenho um coração apaixonado, ainda tenho sonhos não realizados, tenho vida a percorrer. Mas meu vício me devora. Então teve um momento que tive que começar a exteriorizar toda essa intensidade que.existia dentro de mim da masoquista, da submissa, Comecei a escrever em um blog, tirar fotos como forma de me expressar. Fui percebendo aos poucos que eu tinha uma força, que eu era forte. Minha submissão poderia até ter certa fragilidade em alguns momentos, mas isso é natural. Contudo, nunca fugi de nada, mesmo quando o medo tomava conta de mim, eu fui, fiz e faria e das coisas que falei cumpri todas. Porque para mim, hoje não sei onde começa a mulher e termina a submissa ou vice versa, as duas se fundiram em uma só.

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